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Balanço patrimonial: componentes e itens monetários e não monetários

Existem três demonstrativos contábeis básicos que resumem informações acerca da empresa. O primeiro é o balanço patrimonial, que resume o ativo da empresa, o valor deste ativo e a combinação de financiamentos (dívida e patrimônio) utilizada em um determinado momento.

O balanço patrimonial é o mais importante relatório gerado pela Contabilidade. Por meio dele pode-se identificar a saúde financeira e econômica da empresa no fim do ano ou em qualquer data prefixada.

O balanço patrimonial é dividido em duas colunas: a do lado esquerdo é denominada ativo, a do lado direito, passivo. O ideal seria denominar a segunda coluna passivo e patrimônio líquido. Entretanto, a Lei das Sociedades por Ações apresenta apenas o termo “passivo”.

Balanço Patrimonial – Ativo

Ao analisar uma empresa, é importante saber que tipos de ativos possui, qual o valor destes ativos e o grau de incerteza desta avaliação. Demonstrativos contábeis representam um meio razoavelmente bom para classificar os ativos de uma empresa, para a execução parcial da tarefa de avaliar esses ativos, e com recursos insuficientes para determinar a incerteza acerca do valor dos ativos.

Ativo é qualquer recurso que seja capaz de gerar futuras entradas de caixa ou reduzir futuras saídas de caixa – é o conjunto de bens e direitos de propriedade ou controlado pela empresa. São os itens positivos do Patrimônio; trazem benefícios, proporcional ganho para a empresa. Embora esta seja uma definição abrangente o bastante para cobrir quase todos os tipos de ativos, os contabilistas acrescentam a ressalva de que, para que o recurso seja considerado um ativo, a empresa deve tê-lo adquirido em uma transação anterior, e seja capaz de quantificar os futuros benefícios com razoável precisão. Sob o ponto de vista da contabilidade, o valor do ativo está, em grande parte, baseado na noção de custo histórico, que é o custo original acrescido de certos ajustes: elevação com base nas melhoras efetuadas, e redução com base no envelhecimento. Este custo histórico é chamado de valor contábil.

O relatório financeiro em que os contabilistas resumem e apontam o valor do ativo é o balanço patrimonial. Para examinar a mensuração do valor do ativo, vamos começar pelo modo como os ativos são classificados no balanço patrimonial. Primeiro, existem os ativos fixos, que incluem os ativos de longo prazo, como instalações, equipamentos, terrenos e construções. Em seguida, vêm os ativos de curto prazo, inclusive estoques (matéria-prima, tarefas em andamento, produtos acabados, dinheiro e recebíveis – o que a empresa tem a receber); este é o ativo circulante. Então, vêm os investimentos em ativos e títulos de outras empresas, geralmente classificados como investimentos financeiros. Finalmente, temos o que é chamado de “bens intangíveis”. Aí se incluem não apenas ativos como patentes e marcas registradas que presumivelmente produzirão no futuro ganhos e fluxos de caixa, mas também recursos unicamente contábeis, resultantes de aquisições feitas pela empresa.

Empregado, por exemplo, é um bem na empresa, porém não pode ser classificado no ativo porque não é sua propriedade. Os escravos, antes da abolição, eram contabilizados como ativo em razão de pertencerem à fazenda. O gado de uma atividade agropecuária, como parte do patrimônio da fazenda que é, deve ser relacionado no ativo.

Uma máquina é um bem de propriedade da empresa e, portanto, faz parte do ativo. Se a máquina, todavia, for arrendada (leasing financeiro), deverá também ser relacionada no ativo, pois a empresa tem benefícios, riscos e controle (leasing e um financiamento disfarçado). É diferente quando a empresa está localizada num prédio alugado: esse imóvel normalmente não é considerado ativo, pois não é propriedade da empresa (leasing operacional ou arrendamento operacional – essa regra mudou a partir de 2019 para as empresas de grande porte).

Ativos fixos

Os princípios contábeis geralmente aceitos em quase todos os países exigem uma avaliação de ativos fixos a custos históricos, ajustados em relação às despesas de depreciação sobre esses ativos. Embora em teoria os ajustes relativos ao envelhecimento devam refletir a perda do poder de gerar lucros, na prática eles são muito mais o resultado de convenções e regras de contabilidade. É a chamada “depreciação”. Grosso modo, os métodos de depreciação podem ser classificados em “linear” (em que se presume ser a redução no valor do bem a mesma em todos os anos de sua vida útil) e “acelerado” (em que o bem perde mais valor nos primeiros anos de vida, desvalorizando-se mais lentamente nos anos seguintes).

Como os ativos fixos são avaliados com base no valor contábil, e são ajustados pelas provisões de depreciação, o valor de um ativo fixo é fortemente influenciado tanto pela sua vida depreciável quanto pelo método de depreciação utilizado. A maioria das empresas dos EUA utilizam a depreciação linear para fins de demonstrativos financeiros e a depreciação acelerada para fins fiscais, pois podem demonstrar lucros melhores com o primeiro método, pelo menos nos anos imediatamente subsequentes à aquisição do ativo. Em contraste, empresas japonesas e alemãs frequentemente utilizam a depreciação acelerada tanto para fins de demonstrativos financeiros quanto fiscais, levando a ganhos menores em relação a suas contrapartes dos EUA.

Ativo circulante

Neste grupo são classificados: dinheiro disponível (caixa e bancos) em poder da empresa e também todos os valores que serão transformados (convertidos, realizados) em dinheiro a curto prazo: normalmente “duplicatas a receber” e “estoques”.

  • Contas a receber: representam o dinheiro que outras entidades devem à empresa, pela venda de produtos a crédito. Pelo que se convencionou, as contas a receber devem ser registradas pelo total devido, com base na fatura emitida no momento da venda a crédito. O maior problema para a avaliação e a contabilidade é quando a empresa tem contas a receber com a possibilidade de se tornarem incobráveis. As empresas podem separar uma parte da receita para cobrir o esperado não pagamento das vendas a crédito, e as contas a receber serão deduzidas do valor desta reserva. Alternativamente, as contas incobráveis podem ser reconhecidas quando ocorrerem, sendo, então, deduzidas das contas a receber. Existe o perigo, porém de, à falta de uma declaração decisiva de conta incobrável, a empresa continuar a considerar como contas a receber uma quantia que, provavelmente, jamais será recebida.
  • Dinheiro em caixa: o dinheiro em caixa é um dos poucos ativos em relação ao qual contabilistas e analistas financeiros concordam em termos de valor. O valor do saldo de caixa não pode estar sujeito a erros de estimativa. Dito isso, deve-se notar que é cada vez menor o número de empresas que mantêm dinheiro em caixa, no sentido convencional (moeda ou depósito à vista). As empresas, geralmente, investem em contas remuneradas ou em obrigações do tesouro, de modo a obter algum retorno. Em qualquer dos casos, o valor de mercado pode desviar-se do valor contábil, em especial se houver investimentos a longo prazo. Embora não exista um risco real de inadimplência em qualquer desses investimentos, as flutuações da taxa de juros podem afetar seu valor.
  • Estoques: significa bens de propriedade da empresa; pertence, consequentemente ao ativo. Existem três abordagens básicas para avaliação de estoques permitidas pelos GAAP: primeiro a entrar, primeiro a sair (first in, first out – FIFO), último a entrar, primeiro a sair (last in, first out – LIFO) e média ponderada.
    • Primeiro a entrar, primeiro a sair (FIFO): neste método, o custo das mercadorias vendidas se baseia no custo do material comprado mais ao início do período, enquanto o custo de estoque se baseia no custo do material comprado mais para o final do período. Isto resulta numa avaliação do estoque aproximada do seu custo de reposição atual. Durante períodos de inflação, o uso do FIFO resultará na estimativa de custo de mercadorias vendidas mais baixa entre as três abordagens, e na receita líquida mais alta.
    • Último a entrar, primeiro a sair (LIFO): por meio deste método, o custo das mercadorias vendidas baseia-se no custo do material comprado mais no final do período, resultando em custos mais próximos dos correntes. O estoque, entretanto, é avaliado com base no custo de materiais comprados no início do período. Durante períodos de inflação, a utilização do LIFO resultará na estimativa de custos de mercadorias vendidas mais alta entre as abordagens e a receita líquida mais baixa.
    • média ponderada: através da abordagem da média ponderada, tanto o estoque quanto o custo das mercadorias vendidas se baseiam no custo médio de todas as unidades compradas durante o período. Quando o giro de estoque for alto, esta abordagem irá se assemelhar mais ao FIFO do que ao LIFO.

Investimentos financeiros

Investimentos financeiros e títulos negociáveis: os contabilistas incluem na categoria de investimentos e títulos negociáveis os investimentos em títulos ou ativos de outras empresas, bem como em outros títulos negociáveis, inclusive obrigações do tesouro. O método de avaliação desses ativos depende da categoria em que é enquadrado o investimento e o motivo pelo qual foi feito. Em geral, o investimento em títulos de outra empresa pode ser classificado como investimento minoritário em passivo, investimento minoritário em ativo ou investimento majoritário em ativo; as regras contábeis variam conforme a classificação.

Ativos Intangíveis

Os ativos intangíveis incluem uma vasta gama de ativos, variando de patentes e marcas registradas a fundo de comércio, e os seus padrões de contabilidade variam a cada caso. São ativos não monetários que não possuem substância física (obs.: títulos não são considerados ativos intangíveis). Os ativos intangíveis são identificáveis ou não identificáveis:

  • identificáveis: podem ser adquiridos separadamente ou são o resultado de direitos ou privilégios transmitidos ao seu proprietário. Exemplos: patentes, marcas registradas e direitos autorais. Quando resultam de pesquisa interna, os gastos com seu desenvolvimento são feitos em um período específico, embora sua vida útil possa estender-se por muitos outros. Assim, o ativo intangível não é avaliado no balanço patrimonial da empresa. Quando, ao contrário, é adquirido de uma fonte externa, o intangível é tratado como ativo.
  • Não identificáveis: não pode ser adquirido separadamente e podem ter uma vida ilimitada. Exemplo: goodwill (valor de uma marca).

Goodwill é o excesso do preço de compra sobre o valor justo dos ativos líquidos identificáveis (ativos menos passivos) adquiridos em uma aquisição de negócios – ou seja, ele é criado apenas em uma aquisição.

Os adquirentes muitas vezes estão dispostos a pagar mais do que o valor justo dos ativos líquidos identificáveis da empresa-alvo da aquisição, porque tal empresa pode ter ativos que não são relatados em seu balanço patrimonial.

Por exemplo, a reputação e a fidelidade do cliente têm valor, no entanto, o valor não é quantificável. Além disso, a empresa-alvo pode ter ativos de pesquisa e desenvolvimento que permaneçam fora do balanço devido aos padrões contábeis atuais.

Ocasionalmente, o preço de compra de uma aquisição é menor que o valor justo dos ativos líquidos identificáveis. Nesse caso, a diferença é imediatamente reconhecida como um ganho na demonstração de resultados da adquirente.

 Balanço Patrimonial – Passivo

O segundo grupo de perguntas a que gostaríamos de responder, esclarecendo os relatórios financeiros, está relacionado ao mix de dívida (capital de terceiros) e patrimônio líquido (capital próprio) utilizado pela empresa, e ao real valor de cada um deles. As informações sobre esses componentes aparecem na coluna do passivo, no balanço patrimonial, e nas notas de rodapé.

Passivo significa as obrigações exigíveis da empresa, ou seja, as dívidas que serão cobradas, reclamadas a partir da data de seu vencimento. É denominado também passivo exigível, procurando-se, nesse caso, dar mais ênfase ao aspecto exigibilidade.

O Passivo exigível é conhecido no mercado financeiro como dívidas com terceiros, ou recursos (dinheiro) de terceiros, ou capital de terceiros. A palavra terceiro abrange o conjunto de pessoas físicas e jurídicas com quem a empresa tem dívidas: fornecedores (de mercadorias), funcionários (salários), governo (impostos), bancos (empréstimos bancários), encargos sociais (FGTS, previdência social), encargos financeiros (financiamentos) etc.

O passivo exigível evidencia o endividamento da empresa; seu crescimento de forma desmedida pode levar a empresa ao instituto da recuperação judicial ou até à falência.

Assim como a mensuração do valor do ativo, a classificação da contabilidade de exigibilidade e patrimônio líquido segue princípios rígidos. O primeiro é a categorização rigorosa do financiamento como uma exigibilidade ou patrimônio líquido, com base na natureza da obrigação. Para que uma obrigação seja reconhecida como dívida, deve atender a três requisitos:

  • Esperar-se que a obrigação leva a uma futura saída de caixa ou a uma perda de entrada futura de caixa, em uma data especificada ou determinável.
  • A empresa não pode evitar a obrigação.
  • A transação que deu origem à obrigação já deve ter ocorrido.

Ao aderir ao princípio do conservadorismo, ao estimar o valor de um ativo, os contabilistas reconhecem como exigibilidades apenas obrigações de fluxo de caixa que não podem ser evitadas.

O segundo princípio é que o valor das exigibilidades e do patrimônio líquido de uma empresa é mais bem estimado quando se utilizam custos históricos com ajustes na contabilidade e não com valor de mercado e fluxos de caixa esperados. O processo pelo qual os contabilistas mensuram o valor da exigibilidade está intimamente ligado ao modo como avaliam o ativo. Como o ativo é geralmente avaliado pelo custo histórico ou pelo valor contábil, dívida e patrimônio líquido também são mensurados principalmente pelo valor contábil.

As exigibilidades são classificadas em passivo circulante, endividamento a longo prazo e exigibilidades a longo prazo que não incluam dívida ou patrimônio líquido.

Passivo Circulante

Como passivo circulante estão classificadas todas as obrigações da empresa a serem cumpridas no ano seguinte. Entre elas estão, geralmente:

  • Contas a pagar, que representam o crédito tomado pela empresa a fornecedores e outros vendedores. O valor das contas a pagar representa a soma total devida a tais credores. Neste caso, valor de mercado e valor contábil devem ser similares.
  • Endividamento a curto prazo, que representa os empréstimos a curto prazo (a serem pagos em até um ano) tomados para financiar operações ou necessidades da empresa. Mais uma vez, o valor demonstrado representa o montante devido, e valor de mercado e valor contábil devem ser similares, a não ser que o risco de inadimplência da empresa tenha mudado drasticamente depois de tomado o empréstimo.
  • Parcela de curto prazo de um endividamento a longo prazo, que representa a parte da dívida a longo prazo ou obrigações a vencer no ano seguinte. Mais uma vez, o valor demonstrado é o montante desses empréstimos, e valor de mercado e valor contábil devem convergir, com a aproximação da data de vencimento.
  • Outros passivos de curto prazo, que incluem todos os outros passivos de curto prazo que a empresa possua, inclusive salários de empregados e impostos devidos ao governo.

De todos os itens do balanço patrimonial, excluindo-se a possibilidade de fraude, o passivo circulante deve ser aquele do qual as estimativas do valor contábil e do valor de mercado são as mais próximas.

Endividamento a longo prazo

O endividamento a longo prazo da empresa pode apresentar duas formas: um empréstimo a longo prazo tomado de um banco ou outra instituição financeira, ou um título a longo prazo emitido para o mercado financeiro, caso em que os credores são os investidores.

O valor da dívida – no caso de títulos do mercado financeiro – não é afetado pelas alterações nas taxas de juros durante a vigência do empréstimo ou título. Repare que, conforme as taxas de juros do mercado sobem ou descem, o valor atual das obrigações do empréstimo deve diminuir ou aumentar. Este valor de mercado atualizado para a dívida não aparece no balanço. Se a dívida for quitada antes do vencimento, a diferença entre o valor contábil e a quantia paga é tratada como perda ou ganho extraordinários na demonstração de resultados.

As empresas que possuem dívidas a longo prazo em moeda estrangeira devem ajustar o valor contábil de acordo com as alterações nas taxas de câmbio. Como essas alterações refletem mudanças subjacentes nas taxas de juros, isso implica que a dívida tenha probabilidade de ser avaliada muito mais próximo ao valor de mercado do que aquelas em moeda do próprio país.

Outras exigibilidades de longo prazo

As empresas frequentemente possuem obrigações a longo prazo que não se encaixam no item “dívidas a longo prazo”. Entre elas, estão as obrigações com os arrendadores, com os empregados (em forma de fundos de pensão e planos de saúde a serem pagos) e com o governo (em forma de impostos diferidos).

Arrendamentos – Leasing

As empresas muitas vezes optam por arrendar ativos de longo prazo em vez de comprá-los. Existem duas maneiras de contabilizar uma operação de leasing. Num leasing operacional, o arrendador (proprietário) transfere ao arrendatário apenas o direito de uso da propriedade. Ao final do prazo do leasing, o arrendatário devolve a propriedade ao arrendador. Como o arrendatário não assume o risco de propriedade, a despesa do leasing é tratada como despesa operacional no demonstrativo de resultados, e o leasing não afeta o balanço.

Num leasing financeiro, o arrendatário assume alguns dos riscos de propriedade e desfruta de alguns dos benefícios.  Consequentemente, o leasing, ao ser assinado, é reconhecido tanto como ativo quanto como passivo (pelos pagamentos do leasing) no balanço. A empresa poderá deduzir a depreciação sobre o ativo e também o componente de despesas com juros sobre o pagamento do leasing, a cada ano. De modo geral, o leasing financeiro reconhece despesas com maior antecedência do que o equivalente leasing operacional.

Benefícios a empregados

Empregadores oferecem benefícios de previdência privada e de planos de saúde a seus empregados. Em muitos casos, as obrigações geradas por esses benefícios são extensas, e a falha da empresa em financiar estas obrigações de forma adequada precisa ser refletida nos seus demonstrativos financeiros.

Num plano de previdência privada, a empresa concorda em proporcionar determinados benefícios a seus empregados, quer especificando uma “contribuição definida” (em que uma contribuição fixa é feita para o plano pelo empregador, sem quaisquer promessas quanto aos benefícios que serão oferecidos pelo plano) quer através de um “benefício definido” (em que o empregador se compromete a pagar um determinado benefício ao empregado). Sob esta última modalidade, o empregador tem que contribuir com recursos suficientes para permitir que os montantes acrescidos de reinvestimento sejam suficientes para atender aos benefícios determinados.

Uma empresa pode oferecer benefícios de assistência à saúde por uma de duas maneiras: fazendo uma contribuição fixa a um plano de assistência à saúde, sem se comprometer com o oferecimento de benefícios específicos; ou se comprometendo a fornecer benefícios de assistência à saúde específicos e constituindo uma reserva para o fornecimento desses benefícios (análogo a um plano de benefícios definidos).  A contabilização de benefícios de assistência à saúde é bastante semelhante à utilizada para obrigações decorrentes de pensões.

Imposto de renda diferido

Empresas frequentemente utilizam métodos contábeis diferentes para fins de contabilização financeira e tributária, levando à questão de como as exigibilidades tributárias devam ser lançadas. Como o uso da depreciação acelerada e de métodos favoráveis de avaliação de estoques para fins de contabilização tributária leva ao diferimento (adiamento ou postergação) de impostos, a incidência tributária sobre a renda lançada nos demonstrativos financeiros será muito maior do que o imposto efetivamente pago. Os mesmos princípios de equiparação de despesas à receita subjacentes à apropriação contábil sugerem que o “imposto de renda diferido” seja reconhecido nos demonstrativos financeiros. Desta forma, uma empresa que paga R$ 55.000,00 sobre sua receita tributável baseada em sua contabilidade tributária. E que teria sido obrigada a pagar R$ 75.000,00 sobre a receita apresentada em seus demonstrativos financeiros, será obrigada a reconhecer a diferença (R$ 20.000,00) como impostos diferidos. Como os impostos diferidos terão que ser pagos nos anos subsequentes, eles serão reconhecidos apenas quando forem pagos.

Vale a pena notar que as empresas que, realmente, pagam mais impostos do que declaram nas demonstrações financeiras criam o que se chama “ativo de imposto diferido”. Isso reflete o fato de que os ganhos da empresa em períodos futuros serão maiores, devido ao crédito pela quantia paga a mais.

A questão de se a exigibilidade referente aos impostos diferidos é, realmente, um passivo é interessante. As empresas não devem o montante categorizado como impostos diferidos a entidade alguma, e o seu tratamento como passivo faz com que a empresa pareça ter maior risco do que realmente tem.

Ações preferenciais

Quando uma empresa emite ações preferenciais, geralmente cria uma obrigação de pagar dividendos fixos. Convencionou-se não considerar ações preferenciais como dívida, porque o não pagamento de dividendos não resulta em falência. Ao mesmo tempo, o fato de os dividendos preferenciais serem cumulativos, faz com que sejam mais onerosos do que o dividendo das ações ordinárias. Assim, a ação preferencial é um título híbrido, tendo algumas características em comum com o capital próprio de ações ordinárias e outras com o capital de terceiros do endividamento.

As ações preferenciais são avaliadas no balanço patrimonial com base no preço de emissão, acrescido de dividendos não pagos acumulados. Ações preferenciais conversíveis recebem tratamento similar, mas no momento da conversão, são tratadas como capital próprio.

Patrimônio Líquido

Representa o total das aplicações dos proprietários na empresa. Toda empresa necessita de uma quantia inicial de recursos (normalmente, dinheiro) para efetuar suas primeiras aquisições, seus primeiros pagamentos etc. Os proprietários, então, concedem suas poupanças com o objetivo de proporcionar à empresa os meios necessários ao início do negócio. Essa quantia inicial concedida pelos proprietários denomina-se, contabilmente, capital social, que poderá ser aumentado a qualquer momento.

Em termos didáticos, a empresa, pessoa jurídica, fica devendo (obrigação) para seus proprietários, que, por lei, não podem exigir (para não extinguir a empresa) seu dinheiro de volta enquanto a empresa estiver em funcionamento (continuidade). Por isso, o Patrimônio Líquido é conhecido como obrigação não exigível (que não se pode reclamar, cobrar, exigir de volta). Se os proprietários quiserem retirar-se da sociedade, devem vender sua participação no capital para outras pessoas, sem envolverem a empresa.

Pelo fato de os proprietários não terem direito de reclamar seu dinheiro aplicado na empresa, enquanto esta estiver em processo de continuidade, no mundo financeiro o Patrimônio líquido é denominado recurso próprio ou capital próprio. Ou seja, recursos que pertencem à própria empresa até sua extinção. No encerramento da empresa, os recursos seriam devolvidos aos proprietários. Matematicamente, o Patrimônio Líquido é obtido por meio da equação contábil: Ativo – Passivo exigível.

A importância que os proprietários investem inicialmente na empresa, contabilmente, é denominada capital nominal. O valor inicial do capital nominal será modificado, normalmente aumentado com o passar do tempo.

Em caso de os sócios (ou acionistas) se comprometerem a investir na empresa certa quantia, esse capital será denominado capital subscrito (assinado, comprometido). Esse compromisso surge no papel, no contrato social assinado pelos sócios.

Ao cumprirem o contrato firmado, fornecendo dinheiro ou outros bens à empresa, os proprietários integralizam capital (realização do capital). Capital a integralizar é, portanto, a parte do capital comprometido (subscrito) ainda não realizada.

A aferição contábil do patrimônio líquido é a medida do custo histórico. O valor do patrimônio mostrado no balanço reflete a quantia recebida originalmente pela empresa quando da emissão das ações ordinárias com o direito de propriedade, acrescida dos ganhos (ou subtraída das perdas) subsequentes, e descontados os dividendos pagos no período. Embora esses três itens façam parte do que chamamos de valor contábil do patrimônio, três outros aspectos devem ser enfatizados a respeito desta estimativa:

  • Quando as empresas recompram ações por períodos curtos, com a intenção de reemiti-las ou de cobrir exercícios de opção, podem apresentá-las como ações em tesouraria, o que reduz o valor contábil do patrimônio. As empresas não podem manter as ações em tesouraria, na escrituração, por longos períodos e devem subtrair de seu valor contábil de patrimônio, o valor das ações recompradas. Como tais recompras ocorrem ao preço atual de mercado, eles podem resultar em reduções significativas no valor contábil do patrimônio.
  • As empresas que experimentam perdas significativas por longos períodos, ou empreendem recompras maciças, podem acabar com valores contábeis negativos do patrimônio.
  • Ainda em relação à discussão sobre títulos negociáveis, quaisquer perdas ou ganhos não realizados em tais títulos, que sejam classificados como disponíveis para venda, aparecem no balanço como aumento ou redução no valor contábil do patrimônio.

Como parte de seus demonstrativos financeiros, as empresas fazem um resumo das alterações na participação acionária durante o período, sumarizando todas as mudanças na mensuração contábil do valor do patrimônio líquido.

As regras de contabilidade ainda parecem considerar as ações preferenciais, com seus dividendos fixos, como patrimônio líquido (equity) ou quase-equity, principalmente pelo fato de que dividendos preferenciais podem ser diferidos ou acumulados sem risco de inadimplência. Caso haja ainda uma perda de controle na empresa (ao contrário da falência), podemos argumentar que ações preferenciais compartilham quase tantas características de dívidas não garantidas junto a terceiros quanto como de patrimônio líquido dos acionistas ordinários.

Em se tratando do lucro da companhia, este é a remuneração ao capital investido na empresa pelos proprietários. Quando se aplica em caderneta de poupança, os juros também pertencem ao investidor, e não à sociedade de poupança. Na empresa ocorre o mesmo: todo lucro é adicionado à conta do proprietário, ou seja, ao Patrimônio Líquido. Ressalta-se que apenas o lucro retido (não distribuído em dinheiro aos proprietários) se acumula no Patrimônio líquido, aumentando, portanto, o investimento dos proprietários. Nesse caso, há o reinvestimento para a expansão do próprio negócio.

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